Entender a diferença entre juros simples vs juros compostos é o primeiro passo da educação financeira. Os dois regimes calculam juros de formas radicalmente diferentes, e em horizontes longos a diferença é gigante. Este guia mostra as fórmulas, exemplos numéricos verificáveis e em que situações cada regime aparece no Brasil. Faz parte do nosso guia completo de juros compostos.
📐 Juros simples
- Incidem sempre sobre o capital original
- Crescimento linear no tempo
- Fórmula: M = C × (1 + i × n)
- Aparecem em: correção judicial, algumas multas oficiais
- Quanto rende: tempo dobra capital = 100 ÷ taxa
📈 Juros compostos
- Incidem sobre o saldo total acumulado (capital + juros)
- Crescimento exponencial no tempo
- Fórmula: M = C × (1 + i)n
- Aparecem em: tudo no mercado financeiro (poupança, CDB, cartão, Tesouro)
- Regra dos 72: tempo dobra capital ≈ 72 ÷ taxa
As 2 fórmulas lado a lado
Simples: M = C × (1 + i × n)
Acréscimo proporcional ao tempo
Compostos: M = C × (1 + i)n
Acréscimo proporcional ao saldo acumulado
Em ambas: M é o montante final, C o capital inicial, i a taxa por período (decimal) e n o número de períodos.
Tabela comparativa: R$ 1.000 a 1% ao mês
Veja como a diferença explode com o tempo. Capital inicial fixo em R$ 1.000, taxa de 1% ao mês:
| Período | Juros simples | Juros compostos | Compostos / Simples |
|---|---|---|---|
| 1 ano (12 meses) | R$ 1.120,00 | R$ 1.126,83 | 1,01× |
| 5 anos (60 meses) | R$ 1.600,00 | R$ 1.816,70 | 1,14× |
| 10 anos (120 meses) | R$ 2.200,00 | R$ 3.300,39 | 1,50× |
| 15 anos (180 meses) | R$ 2.800,00 | R$ 5.995,80 | 2,14× |
| 20 anos (240 meses) | R$ 3.400,00 | R$ 10.892,55 | 3,20× |
| 25 anos (300 meses) | R$ 4.000,00 | R$ 19.788,47 | 4,95× |
| 30 anos (360 meses) | R$ 4.600,00 | R$ 35.949,64 | 7,81× |
Em 30 anos, juros compostos rendem 7,8 vezes mais que juros simples sobre o mesmo capital e taxa. Em 50 anos seria mais de 50 vezes. O tempo amplia a diferença sem limite, é a essência do compounding.
Tabela com taxas reais 2026: 14,5% a.a. (Selic) e 6,17% a.a. (Poupança)
Usando taxas vigentes em 2026. Capital inicial R$ 10.000, sem aporte mensal:
| Período | Poupança 6,17% a.a. (compostos) | Tesouro Selic 14,58% a.a. (compostos) | 14,58% a.a. juros simples |
|---|---|---|---|
| 1 ano | R$ 10.617,00 | R$ 11.458,00 | R$ 11.458,00 |
| 5 anos | R$ 13.491,07 | R$ 19.711,93 | R$ 17.290,00 |
| 10 anos | R$ 18.200,99 | R$ 38.856,11 | R$ 24.580,00 |
| 20 anos | R$ 33.127,02 | R$ 151.000,00 | R$ 39.160,00 |
| 30 anos | R$ 60.300,72 | R$ 586.836,00 | R$ 53.740,00 |
Em 30 anos, R$ 10.000 no Tesouro Selic com juros compostos viram quase R$ 587 mil, contra R$ 60 mil na poupança e apenas R$ 53 mil em juros simples à mesma taxa. A taxa Selic atual (14,50%, decisão Copom 29/04/2026) é historicamente alta, em momentos de Selic baixa (5-7%), a diferença é menor mas ainda significativa.
Por que a tabela acima é tão importante
Ela mostra que o compounding (juros compostos) é o multiplicador real da riqueza no longo prazo, e que escolher entre poupança e Tesouro Selic significa diferença de 10× em 30 anos, com o mesmo regime composto. A taxa importa, mas o tempo importa mais.
Para simular seu próprio cenário, use a calculadora juros compostos com aporte mensal (incrementa ainda mais o efeito).
📖 Guia completo
Quer entender juros compostos a fundo?
Fórmula derivada, Selic 2026, taxas Tesouro Direto, IR regressivo, regra dos 72 e armadilhas do cartão de crédito.
Quando cada regime aparece no Brasil
Juros simples, casos específicos
- Correção monetária judicial em condenações trabalhistas (Súmula 381 do TST até 2017; depois Selic via Súmula 439). Em muitos cálculos, ainda se usa o regime simples para juros de mora.
- Juros moratórios em contratos sem cláusula: pelo Código Civil (art. 406), aplica-se a taxa Selic, mas o cálculo do mês a mês é em juros simples na execução padrão.
- Algumas multas administrativas: multas de trânsito atrasadas, multas tributárias específicas que aplicam juros simples antes da Selic Selic.
- Cobrança simplificada entre pessoas físicas: quando alguém empresta a um amigo sem contrato sofisticado, em geral aplica simples.
Juros compostos, quase tudo no mercado financeiro
- Poupança: capitalização mensal de TR + 0,5% (Lei 12.703/2012)
- CDB e RDB: capitalização diária com base no CDI
- Tesouro Direto (Selic, Prefixado, IPCA+): capitalização diária
- LCI e LCA: compostos, isentos de IR
- Fundos de investimento: todos os tipos
- Cartão de crédito rotativo: sobre saldo devedor, mensal
- Cheque especial: mensal sobre saldo
- Empréstimos bancários: pessoais, consignados, financiamentos
- Financiamento imobiliário (Tabela Price e SAC)
- Bolsa de valores com dividendos reinvestidos (compounding clássico)
Visualizando: gráfico ASCII da diferença
Conforme apurado por nossa equipe, é difícil mostrar gráficos exatos em texto, mas a tendência fica clara:
R$ 10.000 a 14,58% a.a., Saldo ao longo dos anos Ano 0 ████ R$ 10.000 Ano 5 ████████ Simples R$ 17.290 / Compostos R$ 19.712 Ano 10 ██████████ S R$ 24.580 / ███████████████ C R$ 38.856 Ano 20 ████████████ S R$ 39.160 / ██████████████████████████████ C R$ 151.000 Ano 30 ████████████ S R$ 53.740 / ████████████████████████████████████████████ C R$ 586.836
A linha dos juros simples cresce em ritmo constante (linha reta). A linha dos compostos cresce cada vez mais rápido (curva exponencial). Em horizontes longos, a diferença torna-se quase inimaginável.
A fonte oficial para tirar dúvidas é portal do INSS (gov.br).
Perguntas frequentes
Qual a diferença na fórmula entre juros simples e compostos?
Diante da apuração de nossa redação: juros simples usam M = C × (1 + i × n), onde os juros são uma proporção linear do tempo. Juros compostos usam M = C × (1 + i)n, com crescimento exponencial. A diferença fica desprezível em períodos curtos, mas se torna gigante em horizontes longos.
Onde se usa juros simples no Brasil hoje?
Em poucos casos específicos: cálculo de correção monetária na Justiça do Trabalho (Súmula 381 do TST), juros moratórios em contratos sem cláusula específica (Código Civil art. 406, vinculado à taxa Selic), algumas multas administrativas e cobrança simplificada em contratos de empréstimo entre pessoas físicas. No mercado financeiro (bancos, corretoras, investimentos), praticamente tudo opera em juros compostos.
O cartão de crédito usa juros simples ou compostos?
Compostos. Quando você não paga o total da fatura e entra no rotativo, os juros do mês incidem sobre o saldo devedor total (incluindo juros anteriores), gerando o efeito bola de neve invertido. Pela regulação do Banco Central, o rotativo está limitado a um teto (em torno de 100% do saldo devedor por mês), mas o composto torna o crescimento brutal mesmo assim.
Por que a diferença entre simples e compostos é tão grande em períodos longos?
Porque os juros compostos formam uma função exponencial (crescimento percentual constante a cada período), enquanto os simples formam uma função linear (acréscimo constante em valor absoluto). A razão entre os dois cresce sem limite com o tempo, em 30 anos a 1% ao mês, compostos rendem ~7,8 vezes mais que simples.
Como saber qual regime se aplica a uma aplicação ou dívida?
Verifique o contrato ou o regulamento. Bancos, corretoras e fundos sempre informam o regime de cálculo nas condições da aplicação ou financiamento. Para investimentos (poupança, CDB, Tesouro, fundos, ações com dividendos reinvestidos), assume compostos. Para correções judiciais e algumas multas, simples é o padrão.
A regra dos 72 só vale para juros compostos?
Sim. A regra anos para dobrar ≈ 72 ÷ taxa é uma aproximação derivada da fórmula exponencial dos juros compostos (a fórmula exata é ln(2) ÷ ln(1+i) ≈ 0,693 ÷ ln(1+i)). Para juros simples, o tempo para dobrar é exatamente 100/taxa anos, exemplo: 10% a.a. simples dobra em 10 anos; já 10% a.a. composto dobra em ~7,2 anos.