Caged em fevereiro: 255,3 mil vagas criadas e sinais de desaceleração
O Caged registrou 255,3 mil vagas formais em fevereiro de 2026, segundo dados divulgados nesta terça-feira (31) pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Esse resultado fica bem abaixo das 440 mil vagas geradas no mesmo período do ano anterior.
O saldo resulta de 2,3 milhões de admissões contra 2,1 milhões de desligamentos, com avanço de 115 mil postos em relação a janeiro. Acumulando os últimos 12 meses, o total de novas vagas chegou a 1,05 milhão, recuando frente aos 1,2 milhão registrados até janeiro.
Todos os setores mantiveram saldo positivo. Ainda assim, economistas concordam: o mercado de trabalho entrou em fase de desaceleração. As consequências aparecem tanto no tipo de vaga criada quanto nos salários oferecidos.
Fevereiro marca o menor ritmo desde 2023 para o bimestre
Leonardo Costa, economista do ASA, descreve fevereiro como consideravelmente mais modesto do que o observado em 2024 e no início de 2025. Os números indicam estabilidade num mercado ainda aquecido, mas com desaceleração visível na comparação anual.
André Valério, economista sênior do Inter, reforça o diagnóstico. O saldo acumulado em 12 meses segue em queda, e o bimestre de 2026 apresenta o menor ritmo de geração de emprego para o período desde 2023.
O problema real está em onde essas vagas se concentram e quanto pagam.
Serviços dominam as contratações; comércio fica para trás
O setor de serviços respondeu pela maior fatia, com 177,9 mil vagas. A educação puxou esse resultado com 49 mil novas vagas, impulsionada pelo retorno às aulas. O bloco de informação, comunicação, atividades financeiras, imobiliárias e administrativas somou 48,1 mil.
Construção e indústria também contribuíram: 31,1 mil e 32 mil vagas, respectivamente. Diferente é o comércio. Ficou bem aquém, com apenas 6,1 mil vagas, conforme destaca Costa.
Remuneração: maioria das vagas oferece até 1,5 salário-mínimo
O salário médio de admissão caiu 2,3% em relação a janeiro, ficando em R$ 2.347. Comparado a fevereiro de 2025, houve alta de 2,75%. Mas o dado mensal preocupa.
Ariane Benedito, economista-chefe do PicPay, aponta a concentração: a maior parte das vagas oferecia remuneração de até 1,5 salário-mínimo. As faixas salariais mais altas continuam com saldos negativos. Na avaliação dela, o bom desempenho do emprego formal não tem sido acompanhado por aceleração relevante da massa salarial.
Rotatividade revela trabalhadores migrando para melhores oportunidades
A 4intelligence aponta leve queda na taxa de rotatividade acumulada em 12 meses: de 52,4% para 52,2%. O tempo médio de emprego dos desligados, porém, caiu de 19,2 meses em fevereiro de 2025 para 18,6 meses neste ano.
Boa parte dos trabalhadores deixou um emprego para se admitir em outro com condições mais vantajosas. É sinal de que o mercado ainda oferece oportunidades.
| Indicador | Fevereiro 2026 | Comparação |
|---|---|---|
| Vagas criadas | 255,3 mil | 440 mil em fev/2025 |
| Saldo acumulado 12 meses | 1,05 milhão | 1,2 milhão até janeiro |
| Salário médio de admissão | R$ 2.347 | Queda de 2,3% vs. janeiro |
| Setor líder | Serviços (177,9 mil) | Educação e comunicação em destaque |
| Taxa de rotatividade (12 meses) | 52,2% | 52,4% anteriormente |
Perspectivas para 2026: desaceleração sob controle
Valério projeta que o ano deve encerrar com taxa de desocupação de 5,5%. A 4intelligence estima a criação de 1,2 milhão de vagas formais em 2026, em linha com uma desaceleração lenta na variação anual.
Costa prevê desaceleração consolidada do mercado de trabalho em 2026.
Os dados reforçam um cenário: o emprego formal segue em expansão, mas com menos vigor e salários mais baixos na porta de entrada. Quem busca recolocação encontra oportunidades, especialmente em serviços e construção. Acompanhar onde o mercado concentra vagas pode fazer diferença na busca nos próximos meses.
Fonte: Informações publicadas pelo InfoMoney, com adaptação editorial