Em resumo:

  • Política de valorização instituída pela Lei 14.663/2023.
  • Fórmula: INPC do ano anterior + crescimento real do PIB dos dois anos anteriores.
  • Ganho real limitado a 2,5% ao ano pela regra fiscal.
  • Projeção LDO 2027: R$ 1.717,00 (+5,9%).

Como surgiu a política de valorização

A política de valorização do salário mínimo foi instituída em 2007 por acordo entre o governo Lula e as centrais sindicais. Em 2011, a Lei 12.382 institucionalizou a fórmula. Em 2019, a política caducou e o salário passou a ser reajustado apenas pelo INPC, sem ganho real garantido. Em 2023, a Lei 14.663/2023 retomou a política de valorização, com a fórmula vigente hoje.

A fórmula da Lei 14.663/2023

O reajuste anual do salário mínimo segue dois componentes:

  1. Reposição inflacionária: variação acumulada do INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) do ano civil imediatamente anterior. Em 2026, foi o INPC de 2025.
  2. Ganho real: crescimento real do PIB dos dois anos anteriores ao reajuste. Para 2026, considera o PIB de 2024 e 2023.

O ganho real é limitado a 2,5% ao ano pela regra fiscal estabelecida em 2024 (parte do Novo Arcabouço Fiscal). Essa trava garante previsibilidade orçamentária pro governo federal e pros estados, que arcam com o impacto do reajuste em folhas e benefícios.

Como ficou o cálculo de 2026 na prática

O reajuste de 6,79% aplicado em janeiro de 2026 combinou:

  • INPC 2025: estimado em 4,12% acumulado.
  • Ganho real: 2,55% (teto de 2,5% mais arredondamento).
  • Resultado: aproximadamente 6,79% — equivalente a R$ 103 sobre os R$ 1.518 de 2025.

A fórmula combina os dois componentes multiplicando: (1 + INPC%) × (1 + Ganho real%) − 1.

Projeções para os próximos anos

A LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) de 2027, em discussão no Congresso, já fixou estimativa:

Ano Projeção Reajuste estimado
2027 R$ 1.717,00 +5,9%
2028 ~R$ 1.815,00 +5,7% (preliminar)
2029 ~R$ 1.910,00 +5,2% (preliminar)

Os valores podem variar conforme a inflação real e o crescimento do PIB. O ganho real fica limitado a 2,5% por ano enquanto o teto fiscal estiver em vigor.

Críticas à política

A política de valorização do salário mínimo é alvo de debate político e econômico:

  • Argumento favorável: ganhos reais aumentam o consumo interno, beneficiam os mais pobres e geram efeito multiplicador em todos os setores. Há evidência empírica de impacto positivo sobre desigualdade.
  • Argumento contrário: cada 1% de aumento do salário mínimo impacta diretamente o orçamento da Previdência (R$ 1,1 bilhão), do BPC (R$ 200 milhões), do seguro-desemprego e do abono. Em períodos de baixo crescimento, há risco de pressão fiscal.
  • Debate atual: alguns parlamentares defendem flexibilizar o teto de 2,5% para permitir ganhos reais maiores em anos de PIB forte; outros defendem manter a trava para preservar a sustentabilidade fiscal.

Impacto fiscal do salário mínimo

Cada R$ 1 a mais no salário mínimo gera, em estimativas oficiais, impacto de R$ 350 a R$ 400 milhões anuais nos cofres públicos federais. O reajuste de R$ 103 para 2026 representa, portanto, algo entre R$ 36 e R$ 41 bilhões em impacto no Orçamento da União — distribuído entre Previdência, BPC, abono salarial, seguro-desemprego e folha de servidores que recebem o piso.

Perguntas frequentes

O que é INPC e por que é usado?

O INPC é o Índice Nacional de Preços ao Consumidor, calculado pelo IBGE com base na cesta de consumo de famílias com renda entre 1 e 5 salários mínimos. É usado porque reflete melhor o impacto da inflação sobre os trabalhadores que recebem o piso.

Por que considerar o PIB dos dois anos anteriores?

Para dar previsibilidade ao reajuste — quando se define o salário mínimo de janeiro de 2026, o PIB completo de 2025 ainda não está fechado. Por isso usa-se o PIB de 2024 (último ano com dados consolidados) e 2023.

O teto de 2,5% pode ser alterado?

Sim, por nova lei. O teto foi estabelecido em 2024 como parte da política fiscal e pode ser revisto pelo Congresso. Há propostas em discussão para flexibilizar a regra a partir de 2027.

Em que mês começa o reajuste anual?

Sempre em 1º de janeiro do ano de referência. A última vez que o reajuste foi parcelado (com vigência em maio) foi em 2023. Desde 2024, o reajuste ocorre no início do ano civil.

Leia também — guias relacionados