A Polícia Federal concluiu a 1ª fase do inquérito da Operação Sem Desconto e enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) o indiciamento de 48 pessoas por um esquema que pode ter desviado até R$ 6,3 bilhões de aposentados e pensionistas do INSS entre 2019 e 2024.
Conforme apuração de nossa redação, o relatório final — com 265 páginas — foi remetido ao ministro André Mendonça, do STF, responsável pelo caso por envolver autoridades com prerrogativa de foro. Entre os indiciados está o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto, mas a lista vai muito além dele: soma ex-dirigentes da autarquia, um lobista e representantes de entidades associativas que descontavam valores da folha de pagamento dos benefícios sem autorização dos titulares.
Operação Sem Desconto: o que mudou nesta etapa
- Antes: indiciamento inicial do ex-presidente do INSS por desvio de R$ 708 milhões via uma entidade (Conafer)
- Agora: inquérito concluído, 48 pessoas indiciadas, cifra do esquema completo estimada em R$ 6,3 bilhões
- Período investigado: 2019 a 2024
- Modo de operação: descontos de mensalidade associativa lançados na folha de pagamento sem autorização do beneficiário
- Próximo passo: STF recebe o relatório; PGR decide se apresenta denúncia formal
- Fonte oficial da operação: Supremo Tribunal Federal (STF)
Neste guia
O que é a Operação Sem Desconto
A Operação Sem Desconto foi deflagrada pela Polícia Federal em 2025 para apurar um esquema nacional de descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões do INSS. Beneficiários tinham valores descontados do contracheque em nome de entidades associativas às quais nunca haviam se filiado nem autorizado desconto algum.
Em dezembro de 2025, o Supremo Tribunal Federal já havia determinado, a pedido da PF e com aval da PGR, a prisão preventiva de 16 investigados e o monitoramento eletrônico de outras oito pessoas na mesma operação, incluindo o afastamento do secretário-executivo do Ministério da Previdência Social.
Agora, em julho de 2026, a Polícia Federal concluiu a primeira etapa da investigação com o envio do indiciamento formal ao STF.
Quem foi indiciado
Conforme apuração de nossa redação junto a fontes ligadas ao processo, o relatório final indicia 48 pessoas por crimes como corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Entre os nomes mais citados:
- Alessandro Stefanutto — ex-presidente do INSS, primeiro indiciado no caso em junho de 2026 (veja a cobertura original do indiciamento)
- Ex-diretor de Benefícios e ex-procurador-geral do INSS, apontados por participação no esquema de aprovação irregular dos convênios com as associações
- Um lobista conhecido como “Careca do INSS”, citado como intermediário entre entidades associativas e servidores da autarquia
- Dirigentes de entidades associativas que descontavam mensalidades da folha de pagamento dos benefícios sem autorização
O indiciamento formal não é uma condenação: cabe agora à Procuradoria-Geral da República (PGR) avaliar o relatório e decidir se apresenta denúncia ao STF, pedir novas diligências ou arquivar o caso em relação a cada indiciado.
O que muda para quem recebe INSS
Para quem já teve desconto identificado como indevido, o processo de contestação e ressarcimento segue seu fluxo normal pelo INSS, independentemente do andamento penal do inquérito. A conclusão da 1ª fase da investigação reforça, porém, que o problema era sistêmico — e não um caso isolado — o que tende a manter o INSS em alerta reforçado contra novos descontos associativos não autorizados.
Atenção a golpes que usam o caso como isca
Fique atento a ligações ou mensagens que citam a Operação Sem Desconto para pedir dados bancários ou senha do Meu INSS “para devolver o valor descontado”. O INSS não solicita esse tipo de dado por telefone ou WhatsApp — veja o guia nenhum servidor do INSS vai à sua casa para outros sinais de golpe.
Como verificar se você foi afetado
- Acesse o Meu INSS: confira o extrato de pagamento de benefício e procure por descontos de “mensalidade associativa” ou nomes de entidades que você não reconhece. Veja o passo a passo de como acessar o Meu INSS.
- Compare com meses anteriores: um desconto que aparece do nada, ou que aumenta sem explicação, é o sinal mais comum apontado pela CGU no levantamento da operação.
- Conteste pelo canal oficial: se identificar desconto que não reconhece, siga o passo a passo do guia desconto indevido do INSS: como verificar e denunciar para pedir a suspensão e o ressarcimento dos valores.
- Em caso de dúvida, ligue 135: a Central de Atendimento do INSS é gratuita e funciona de segunda a sábado, das 7h às 22h.
Perguntas frequentes
O que é a Operação Sem Desconto?
É a investigação da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União (CGU) sobre descontos associativos não autorizados nos benefícios de aposentados e pensionistas do INSS. A 1ª fase foi deflagrada em abril de 2025 e apurou que o esquema pode ter movimentado até R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024.
Quantas pessoas foram indiciadas?
Segundo apuração da nossa redação junto a fontes do processo, a Polícia Federal indiciou 48 pessoas ao concluir a 1ª fase do inquérito, entre elas o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto e outros ex-dirigentes da autarquia.
O ex-presidente do INSS é o único indiciado de peso?
Não. O relatório final também aponta um ex-procurador-geral do INSS, um ex-diretor de Benefícios, um lobista conhecido como "Careca do INSS" e o presidente de uma das entidades associativas investigadas, entre outros nomes.
Para onde vai o relatório da PF agora?
O relatório foi enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), que tem foro para processar autoridades com prerrogativa de função, e seguirá também para análise da Procuradoria-Geral da República (PGR), que decide se apresenta denúncia formal.
Como sei se fui vítima de desconto indevido do INSS?
Confira o extrato de pagamento no aplicativo Meu INSS: descontos de "mensalidade associativa" ou de entidades que você não reconhece são o sinal de alerta mais comum apontado pela CGU na Operação Sem Desconto.
O dinheiro descontado indevidamente será devolvido?
O INSS abriu canal de contestação e já devolveu parte dos valores identificados como indevidos desde 2025. Quem reconhece um desconto irregular deve contestar pelo Meu INSS ou pela Central 135 para entrar no fluxo de ressarcimento.