PF indicia 48 por desvio de R$ 6,3 bi em descontos do INSS

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A Polícia Federal concluiu a 1ª fase do inquérito da Operação Sem Desconto e enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) o indiciamento de 48 pessoas por um esquema que pode ter desviado até R$ 6,3 bilhões de aposentados e pensionistas do INSS entre 2019 e 2024.

Conforme apuração de nossa redação, o relatório final — com 265 páginas — foi remetido ao ministro André Mendonça, do STF, responsável pelo caso por envolver autoridades com prerrogativa de foro. Entre os indiciados está o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto, mas a lista vai muito além dele: soma ex-dirigentes da autarquia, um lobista e representantes de entidades associativas que descontavam valores da folha de pagamento dos benefícios sem autorização dos titulares.

Operação Sem Desconto: o que mudou nesta etapa

  • Antes: indiciamento inicial do ex-presidente do INSS por desvio de R$ 708 milhões via uma entidade (Conafer)
  • Agora: inquérito concluído, 48 pessoas indiciadas, cifra do esquema completo estimada em R$ 6,3 bilhões
  • Período investigado: 2019 a 2024
  • Modo de operação: descontos de mensalidade associativa lançados na folha de pagamento sem autorização do beneficiário
  • Próximo passo: STF recebe o relatório; PGR decide se apresenta denúncia formal
  • Fonte oficial da operação: Supremo Tribunal Federal (STF)

Atualização (6/8): PF conclui 2º inquérito e indicia mais 6 pessoas, incluindo dirigentes da Contag

Na quinta-feira (6/8), a Polícia Federal concluiu um segundo inquérito sobre o mesmo esquema de descontos indevidos no INSS e indiciou mais seis pessoas. Entre elas estão o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto (já indiciado na 1ª fase) e ex-dirigentes da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) — entidade que a PF aponta como a principal beneficiária do esquema, entre eles o ex-presidente e a ex-secretária-geral da confederação.

Segundo apuração de nossa redação, os novos indiciados respondem por organização criminosa e inserção de dados falsos em sistema de informações. O relatório deste 2º inquérito segue agora para a Procuradoria-Geral da República (PGR), que decide se apresenta denúncia formal ao STF — o mesmo fluxo já em curso para os 48 indiciados da 1ª fase.

O que é a Operação Sem Desconto

A Operação Sem Desconto foi deflagrada pela Polícia Federal em 2025 para apurar um esquema nacional de descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões do INSS. Beneficiários tinham valores descontados do contracheque em nome de entidades associativas às quais nunca haviam se filiado nem autorizado desconto algum.

Em dezembro de 2025, o Supremo Tribunal Federal já havia determinado, a pedido da PF e com aval da PGR, a prisão preventiva de 16 investigados e o monitoramento eletrônico de outras oito pessoas na mesma operação, incluindo o afastamento do secretário-executivo do Ministério da Previdência Social.

Agora, em julho de 2026, a Polícia Federal concluiu a primeira etapa da investigação com o envio do indiciamento formal ao STF.

Quem foi indiciado

Conforme apuração de nossa redação junto a fontes ligadas ao processo, o relatório final indicia 48 pessoas por crimes como corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Entre os nomes mais citados:

  • Alessandro Stefanutto — ex-presidente do INSS, primeiro indiciado no caso em junho de 2026 (veja a cobertura original do indiciamento)
  • Ex-diretor de Benefícios e ex-procurador-geral do INSS, apontados por participação no esquema de aprovação irregular dos convênios com as associações
  • Um lobista conhecido como “Careca do INSS”, citado como intermediário entre entidades associativas e servidores da autarquia
  • Dirigentes de entidades associativas que descontavam mensalidades da folha de pagamento dos benefícios sem autorização

O indiciamento formal não é uma condenação: cabe agora à Procuradoria-Geral da República (PGR) avaliar o relatório e decidir se apresenta denúncia ao STF, pedir novas diligências ou arquivar o caso em relação a cada indiciado.

O que muda para quem recebe INSS

Para quem já teve desconto identificado como indevido, o processo de contestação e ressarcimento segue seu fluxo normal pelo INSS, independentemente do andamento penal do inquérito. A conclusão da 1ª fase da investigação reforça, porém, que o problema era sistêmico — e não um caso isolado — o que tende a manter o INSS em alerta reforçado contra novos descontos associativos não autorizados.

Atenção a golpes que usam o caso como isca

Fique atento a ligações ou mensagens que citam a Operação Sem Desconto para pedir dados bancários ou senha do Meu INSS “para devolver o valor descontado”. O INSS não solicita esse tipo de dado por telefone ou WhatsApp — veja o guia nenhum servidor do INSS vai à sua casa para outros sinais de golpe.

Como verificar se você foi afetado

  1. Acesse o Meu INSS: confira o extrato de pagamento de benefício e procure por descontos de “mensalidade associativa” ou nomes de entidades que você não reconhece. Veja o passo a passo de como acessar o Meu INSS.
  2. Compare com meses anteriores: um desconto que aparece do nada, ou que aumenta sem explicação, é o sinal mais comum apontado pela CGU no levantamento da operação.
  3. Conteste pelo canal oficial: se identificar desconto que não reconhece, siga o passo a passo do guia desconto indevido do INSS: como verificar e denunciar para pedir a suspensão e o ressarcimento dos valores.
  4. Em caso de dúvida, ligue 135: a Central de Atendimento do INSS é gratuita e funciona de segunda a sábado, das 7h às 22h.

Perguntas frequentes

O que é a Operação Sem Desconto?

É a investigação da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União (CGU) sobre descontos associativos não autorizados nos benefícios de aposentados e pensionistas do INSS. A 1ª fase foi deflagrada em abril de 2025 e apurou que o esquema pode ter movimentado até R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024.

Quantas pessoas foram indiciadas?

Segundo apuração da nossa redação junto a fontes do processo, a Polícia Federal indiciou 48 pessoas ao concluir a 1ª fase do inquérito, entre elas o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto e outros ex-dirigentes da autarquia.

O ex-presidente do INSS é o único indiciado de peso?

Não. O relatório final também aponta um ex-procurador-geral do INSS, um ex-diretor de Benefícios, um lobista conhecido como "Careca do INSS" e o presidente de uma das entidades associativas investigadas, entre outros nomes.

Para onde vai o relatório da PF agora?

O relatório foi enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), que tem foro para processar autoridades com prerrogativa de função, e seguirá também para análise da Procuradoria-Geral da República (PGR), que decide se apresenta denúncia formal.

Como sei se fui vítima de desconto indevido do INSS?

Confira o extrato de pagamento no aplicativo Meu INSS: descontos de "mensalidade associativa" ou de entidades que você não reconhece são o sinal de alerta mais comum apontado pela CGU na Operação Sem Desconto.

O dinheiro descontado indevidamente será devolvido?

O INSS abriu canal de contestação e já devolveu parte dos valores identificados como indevidos desde 2025. Quem reconhece um desconto irregular deve contestar pelo Meu INSS ou pela Central 135 para entrar no fluxo de ressarcimento.

A Polícia Federal abriu um segundo inquérito sobre o caso?

Sim. Em 6 de agosto de 2026, a PF concluiu um segundo inquérito sobre o mesmo esquema e indiciou mais seis pessoas, incluindo o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto (já indiciado na 1ª fase) e ex-dirigentes da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), apontada como a principal entidade beneficiária do esquema de descontos indevidos.

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