A Receita Federal esperava receber 44 milhões de declarações do IR 2026 até 29 de maio. Até agora, pouco menos de 22 milhões chegaram. Isso significa que cerca de 23 milhões de contribuintes ainda não acertaram as contas com o Fisco, e estão em risco de cair na malha fina ou pagar multa por atraso.
- Total esperado: 44 milhões de declarações até 29 de maio de 2026.
- Já enviadas: 21.694.061 declarações (cerca de 49% da meta oficial).
- Multa mínima por atraso, em valor fixo definido pela Receita, podendo chegar a 20% do imposto devido.
O dado pouco divulgado é que 67,9% das declarações já enviadas têm direito à restituição. Quem adia não está apenas arriscando multa: está adiando dinheiro de volta no bolso. Dos que já enviaram, 59,7% usaram a declaração pré-preenchida, que reúne automaticamente rendimentos, despesas médicas e aplicações financeiras.
Os que ainda não enviaram provavelmente enfrentam dúvidas técnicas sobre como preencher campos específicos ou documentação faltante (PGBL versus VGBL, pensão alimentícia isenta, dependentes com renda, restituição do ano anterior). Cada um desses pontos virou armadilha de retenção automática em 2026.
Os números reais: quantos já declararam e quem ainda está fora
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Meta da Receita | 44 milhões de declarações |
| Já entregues | 21.694.061 (cerca de 49%) |
| Ainda faltam | ~23 milhões de contribuintes |
| Com restituição prevista | 67,9% das enviadas |
| Com imposto a pagar | 18,3% das enviadas |
| Prazo final de entrega | 29 de maio de 2026 |
| Multa mínima por atraso | R$ 165,74 ou até 20% do imposto |
Os 21,7 milhões já entregues representam menos da metade da meta. A Receita tem cruzamento automático de dados com empregadores, bancos e planos de saúde: quem deveria declarar e não entregou já está no sistema, esperando autuação.
📋 Onde declarar
Programa Meu Imposto de Renda pelo portal gov.br, app oficial ou Programa Gerador da Declaração (PGD) no computador.
PGBL versus VGBL: a confusão que retém a declaração
O advogado João Cipriano, sócio do escritório Miguel Neto Advogados, aponta que uma das falhas mais recorrentes começa na dúvida sobre previdência privada. “É fundamental declarar todos os rendimentos corretamente. Os dados informados pelas empresas também são enviados à Receita, e qualquer divergência pode levar o contribuinte à malha fina”, explica.
A diferença é concreta. O PGBL permite deduzir até 12% da renda tributável e vai na ficha “Pagamentos Efetuados”. O VGBL não oferece dedução e entra em “Bens e Direitos”. Colocar um no lugar do outro gera inconsistência automática no sistema, retendo a declaração na malha fina.
Pensão alimentícia em 2024: mudança gera retenção automática
Desde 2024, a pensão alimentícia é isenta de tributação. O valor deve ir em “Rendimentos Isentos e Não Tributáveis”, e não na ficha de rendimentos tributáveis.
Cipriano explica o risco: se a pensão for lançada como rendimento tributável, o sistema identifica inconsistência e retém a declaração na malha fina automaticamente. Não há aviso prévio ao contribuinte. Quem recebe pensão e desconhece a mudança de 2024 costuma enviar errado.
Dependentes com renda: omissão que gera pendência
Cipriano aponta a omissão de rendimentos de dependentes como uma das falhas mais recorrentes. O contribuinte declara os próprios rendimentos corretamente, mas esquece filhos com estágio remunerado, cônjuge com renda informal ou pais com aposentadoria.
A Receita cruza dados de dependentes com a mesma base usada para o titular. Qualquer renda que a empresa ou banco informou e que não apareceu na declaração vira pendência automática. Quem tem dependentes com renda em 2025 precisa reunir os informes deles também, não só os próprios.
Golpes com IA generativa imitam a Receita Federal
A TIVIT, do Grupo Almaviva, aponta um dado preocupante: no início de 2026, o Brasil registrou uma tentativa de fraude financeira a cada 2,2 segundos. As tentativas cresceram quase 30% no último ciclo analisado, segundo dados da Serasa Experian.
O diretor de Cibersegurança da TIVIT, Thiago Tanaka, explica que a inteligência artificial generativa permite criar e-mails e mensagens falsas com linguagem, identidade visual e estrutura muito próximas das comunicações reais da Receita Federal. O contribuinte que recebe uma mensagem sobre “suposta malha fina” ou “restituição antecipada” não consegue distinguir do original sem checagem técnica.
Canais oficiais não usam gatilhos de urgência emocional. O acesso correto é pelo portal e-CAC e pelo aplicativo Meu Imposto de Renda, com autenticação em múltiplos fatores. Endereços alternativos por SMS ou WhatsApp são fraude.
Perguntas frequentes sobre o IR 2026
Qual é a multa mínima por atraso na declaração do IR 2026?
A multa mínima é fixa em R$ 165,74. Pode chegar a 20% do imposto devido, mais juros calculados com base na taxa Selic, conforme o tempo de atraso. A cobrança começa no dia seguinte ao fim do prazo de entrega.
Quem usa declaração pré-preenchida tem vantagem na restituição?
Sim. Quem opta pela pré-preenchida e escolhe receber a restituição via Pix tem prioridade nos lotes de pagamento da Receita Federal. O primeiro lote sai em 29 de maio, mesmo dia do encerramento do prazo.
Como declarar corretamente o PGBL no IR 2026?
O PGBL deve ser informado na ficha “Pagamentos Efetuados” e pode ser deduzido em até 12% da renda tributável. Já o VGBL, sem dedução, vai em “Bens e Direitos”. Trocar um pelo outro causa retenção na malha fina.
A pensão alimentícia é tributada no IR 2026?
Não. Desde 2024, a pensão alimentícia é isenta. Deve ser declarada em “Rendimentos Isentos e Não Tributáveis”. Lançar em rendimentos tributáveis causa retenção automática no cruzamento de dados.
Como identificar golpes relacionados ao IR 2026?
Canais oficiais da Receita Federal não usam gatilhos de urgência emocional por SMS ou WhatsApp. Acesse apenas o Portal e-CAC e o app Meu Imposto de Renda, com autenticação em múltiplos fatores via gov.br.











