O comércio foi o único entre os grandes setores da economia a fechar vagas formais no primeiro semestre de 2026, segundo o Novo Caged, do Ministério do Trabalho e Emprego: o saldo acumulado de janeiro a junho ficou negativo em 3.514 postos de trabalho, enquanto o mercado formal brasileiro como um todo criou 921.645 vagas no mesmo período.
Segundo apuração de nossa redação junto a uma análise da consultoria 4intelligence sobre os mesmos microdados oficiais do Caged, o problema se concentra no varejo: o setor fechou 45,9 mil vagas com carteira assinada entre janeiro e junho, o pior resultado para um primeiro semestre desde 2020.
Lojas de vestuário e acessórios sozinhas responderam por mais de dois terços dessa perda.
Comércio no Caged 1º semestre de 2026: resumo
- Saldo do comércio (dado oficial Caged): -3.514 postos no acumulado do semestre
- Único grande setor com saldo negativo entre os grandes grupos do Caged
- Junho isolado: saldo positivo de 19.177 postos no comércio (+0,2%)
- Varejo (análise 4intelligence sobre dados do Caged): -45,9 mil vagas no semestre
- Vestuário e acessórios: -30,9 mil vagas (maior parte da perda)
- Calçados: -11,3 mil vagas
- Super e hipermercados: -5,6 mil vagas
- Mercado formal geral: +921.645 vagas no semestre (+1,96%)
- Fonte oficial: gov.br/trabalho-e-emprego – Novo Caged
Neste guia
Onde as vagas caíram
O comércio é o único entre os grandes setores acompanhados pelo Caged com saldo negativo no acumulado do primeiro semestre de 2026. Dentro do comércio, o corte se concentrou no varejo, e não de forma uniforme entre os tipos de loja:
| Subsetor do varejo | Vagas fechadas (jan-jun/2026) | Participação na perda do varejo |
|---|---|---|
| Vestuário e acessórios | 30,9 mil | Mais de 2/3 do total |
| Calçados | 11,3 mil | Segunda maior perda |
| Super e hipermercados | 5,6 mil | Terceira maior perda |
| Total do varejo | 45,9 mil | Pior 1º semestre desde 2020 |
Economistas ouvidos pela imprensa especializada sobre os mesmos dados, entre eles Bruno Imaizumi, da 4intelligence, e Daniel Duque, do FGV Ibre, associam o movimento a uma combinação de fatores: juros altos, desaceleração da atividade econômica, avanço das apostas esportivas sobre parte da renda das famílias e migração de consumo para o comércio eletrônico, que emprega de forma diferente do varejo físico tradicional.
Onde o emprego cresceu no mesmo período
Enquanto o comércio recuava, outros setores sustentaram o resultado positivo do mercado formal brasileiro no primeiro semestre de 2026:
| Setor | Saldo de vagas (jan-jun/2026) | Variação |
|---|---|---|
| Serviços | +571.926 | +2,5% |
| Construção | +168.962 | +5,73% |
| Indústria | +143.442 | +1,6% |
| Agropecuária | +40.853 | Positivo |
| Comércio | -3.514 | Único setor negativo |
O que isso significa para você
Se você está procurando emprego e mora perto de um polo de serviços, construção ou indústria, a chance de encontrar vaga formal em 2026 é maior fora do varejo tradicional, especialmente fora de lojas de roupas, calçados e supermercados de grande rede.
Isso não significa que o varejo parou de contratar ponto a ponto: junho isolado já teve saldo positivo no comércio, e o setor costuma reforçar o quadro no fim de ano por causa das datas comemorativas. Mas quem está escolhendo onde concentrar a busca agora tem um dado concreto a favor de olhar primeiro para os setores que vêm gerando mais vagas ao longo do ano.
Onde buscar vaga agora
Independentemente do setor, os canais públicos de intermediação de emprego continuam sendo o caminho mais direto e gratuito para quem procura vaga formal. Vale consultar o painel diário de vagas no Sine em todo o Brasil, atualizado com os números de cada estado, e ficar de olho nos feirões do trabalhador, que reúnem várias empresas em um único mutirão de contratação.
Para quem está montando a estratégia de busca do zero, o guia como conseguir um emprego em 2026 traz o passo a passo completo.
Perguntas frequentes
Por que o comércio varejista fechou vagas em 2026 mesmo com o mercado de trabalho aquecido?
Porque o resultado positivo do mercado formal em 2026 foi puxado por outros setores, como serviços, construção e indústria. O comércio foi o único grande setor com saldo negativo no acumulado do primeiro semestre, segundo o Novo Caged.
Quais lojas foram mais afetadas pelos cortes de vagas no varejo?
Segundo análise da consultoria 4intelligence sobre os microdados do Caged, o setor de vestuário e acessórios concentrou a maior perda, com 30,9 mil vagas fechadas no primeiro semestre, mais de dois terços do saldo negativo do varejo. Calçados perderam 11,3 mil postos e supermercados e hipermercados, 5,6 mil.
Quais setores estão contratando mais em 2026?
De acordo com o Novo Caged, os setores que mais geraram vagas com carteira assinada no primeiro semestre de 2026 foram serviços (571.926 postos), construção (168.962) e indústria (143.442).
O varejo pode voltar a contratar no segundo semestre?
É possível. O próprio mês de junho de 2026, isoladamente, já teve saldo positivo no comércio (19.177 postos), e o setor costuma reforçar contratações no fim de ano por causa das datas comemorativas. Ainda assim, o acumulado do semestre seguia negativo.
Onde encontrar vagas de emprego formal em 2026?
Além dos canais próprios de cada rede varejista, o trabalhador pode consultar o painel diário do Sine por estado e os feirões do trabalhador que acontecem em várias cidades ao longo do ano.