Quem deve R$ 5 mil no cartão de crédito com mais de um ano de atraso pode fechar a conta por R$ 1.750 no Desenrola 2.0. Quem deve R$ 20 mil pode encerrar a dívida por R$ 7 mil. Os números saem da tabela de descontos que o governo federal divulgou junto ao programa.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, confirmou que o desconto médio é de 65% sobre o valor total da dívida. Para dívidas no rotativo do cartão e cheque especial com mais de um ano de atraso, o corte chega a 90%. Pessoas com renda de até cinco salários mínimos e dívidas de até R$ 15 mil por banco têm acesso ao programa.

Agricultores familiares, estudantes do Fies e trabalhadores com FGTS entram em frentes específicas do mesmo programa. Cada uma tem regras, prazos e percentuais distintos que mudam bastante o cálculo final de quem deve.

  • Desconto médio: 65% sobre o valor total da dívida.
  • Teto de dívida: R$ 15 mil por pessoa, por banco.
  • Prazo para renegociar: 90 dias a partir do anúncio oficial.
  • FGTS: uso de 20% do saldo ou até R$ 1 mil para abater dívida.

Cálculo simulado por faixa de dívida no Desenrola 2.0

O diferencial deste artigo em relação a outros do cluster é exatamente este: quanto sai do bolso em cada cenário real. Abaixo, três simulações com o desconto médio de 65% confirmado pelo governo.

Dívida original Desconto de 65% Você paga Economia real
R$ 5.000 R$ 3.250 R$ 1.750 R$ 3.250
R$ 10.000 R$ 6.500 R$ 3.500 R$ 6.500
R$ 15.000 (teto) R$ 9.750 R$ 5.250 R$ 9.750

Esses cálculos usam o desconto médio de 65%. Quem tem atraso superior a um ano no rotativo do cartão pode chegar ao corte máximo de 90%. Uma dívida de R$ 5 mil, nesse cenário, fecha por apenas R$ 500.

O prazo de pagamento após a renegociação vai a 48 meses. A taxa máxima de juros no parcelamento é de 1,99% ao mês. Segundo o anúncio oficial, a primeira parcela pode ser paga em até 35 dias após a assinatura do acordo.

Tabela completa de descontos por prazo de atraso no Desenrola 2.0

O percentual de desconto varia conforme o tipo de crédito e o tempo de inadimplência. O governo divulgou as duas tabelas abaixo com os cortes exatos.

Prazo de atraso Rotativo e cheque especial CDC e parcelado
91 a 120 dias 40% 30%
121 a 150 dias 45% 35%
151 a 180 dias 50% 40%
181 a 240 dias 55% 45%
241 a 300 dias 70% 60%
301 a 360 dias 85% 75%
1 a 2 anos 90% 80%

Dívidas no cartão de crédito (rotativo), cheque especial e crédito pessoal (CDC) entram no programa. Quem tem atraso entre 91 e 120 dias no rotativo já garante corte de 40%. A dois anos de inadimplência, o banco desconta 90% do total.

FGTS como pagamento no Desenrola 2.0: como funciona

A principal novidade da edição 2026 em relação à de 2023 é o uso do FGTS para abater dívidas. O trabalhador pode resgatar 20% do saldo da conta ou até R$ 1 mil (o que for maior) para quitar parte do acordo renegociado. O total mobilizável no programa chega a R$ 8,2 bilhões.

Há uma condição que protege o trabalhador: o acesso ao FGTS só ocorre depois de assinar o acordo de renegociação. Isso obriga o banco a aplicar os descontos mínimos antes de liberar os fundos. Quem usa o saldo pra antecipar parcelas reduz ainda mais o custo total do parcelamento, segundo a divulgação oficial do programa.

O Fundo de Garantia de Operações (FGO) aparece como garantia do crédito novo concedido. O governo autorizou aportes de até R$ 5 bilhões adicionais, além dos R$ 2 bilhões já disponíveis e dos recursos do SVR, que podem mobilizar entre R$ 5 e R$ 8 bilhões extras.

Estudantes do Fies no Desenrola 2.0: descontos de até 99%

Quem tem dívida no Fies com mais de 360 dias de atraso e está inscrito no CadÚnico pode ter 99% da dívida zerada, incluindo principal, juros e multa. Para estudantes fora do CadÚnico, o corte máximo é de 77%. São mais de 1 milhão de estudantes beneficiados, conforme o governo.

Para dívidas entre 90 e 360 dias de atraso no Fies, o acordo varia: pagamento à vista garante desconto total de juros e multas mais 12% do principal. O parcelamento pode ir a 150 prestações, com desconto total de encargos. Quem quer conferir as condições específicas encontra o detalhamento em Desenrola 2.0 vai dar desconto de até 99% nas dívidas do Fies.

Dívidas de até R$ 100 e quem tem o nome limpo automaticamente

Programa Desenrola Brasil 2.0
Desnegativação automática Dívidas de até R$ 100
Desconto médio 65% (máximo 90%)
Teto de dívida renegociável R$ 15 mil por pessoa, por banco
Prazo para renegociar 90 dias a partir do lançamento
Onde acessar Canais oficiais dos bancos participantes

Todo banco que aderir ao Desenrola 2.0 fica obrigado a fazer a desnegativação de clientes com dívida de até R$ 100. A mesma limpeza vale para quem fizer a renegociação. O ministro Durigan confirmou a regra na segunda-feira, dia 5 de maio. Os bancos participantes também ficam proibidos de enviar recursos a casas de apostas via cartão de crédito, pix crédito ou pix parcelado.

Quem não sabe se seu banco aderiu ao programa pode consultar os Canais oficiais de acesso ao Desenrola 2.0 por banco. O ministério orienta procurar diretamente a instituição onde se tem conta.

Por trás dos números: 30% da renda dos brasileiros vai para dívidas em 2026

O Banco Central registrou que 29,7% da renda dos brasileiros está sendo consumida por pagamento de dívidas. É o maior patamar da série histórica, iniciada em 2005. A primeira versão do Desenrola, em 2023, beneficiou 15 milhões de pessoas e negociou R$ 53 bilhões em dívidas.

O governo lançou a versão 2.0 com o diagnóstico de que os bons indicadores econômicos não chegam ao bolso de quem ainda carrega dívidas antigas. A lógica do programa é reduzir essa pressão financeira com descontos estruturados por prazo de atraso: quanto mais tempo inadimplente, maior o corte.

O Desenrola Rural também foi ampliado. Com a reabertura do prazo até 20 de dezembro de 2026, mais 800 mil agricultores familiares podem renegociar dívidas, somando-se aos 507 mil já beneficiados. O total projetado é de 1,3 milhão de produtores.

Quem quer entender como as regras do consignado do INSS mudam junto com o programa encontra a análise completa em Desenrola Brasil consignado INSS: novas regras e encerramento do cartão.

Como renegociar a dívida no Desenrola 2.0 em 4 passos

  1. Verifique se sua dívida é de cartão de crédito, cheque especial ou CDC e se o valor total não ultrapassa R$ 15 mil.
  2. Acesse o aplicativo ou site oficial do banco onde você tem conta.
  3. Negocie o desconto conforme o prazo de atraso (use a tabela acima para saber qual percentual lhe cabe).
  4. Decida se usa o FGTS para abater parte do saldo, respeitando o limite de 20% do saldo ou R$ 1 mil.

O prazo para concluir a renegociação é de 90 dias a partir do lançamento oficial, anunciado no dia 5 de maio. Quem deixar passar esse prazo perde as condições especiais desta edição.

Perguntas frequentes

Quem pode participar do Desenrola 2.0?

Pessoas com renda de até 5 salários mínimos e dívidas de até R$ 15 mil por banco, em modalidades de cartão de crédito (rotativo), cheque especial ou crédito pessoal (CDC).

Qual o desconto máximo no Desenrola 2.0?

Para dívidas no rotativo do cartão ou cheque especial com 1 a 2 anos de atraso, o desconto chega a 90%. O desconto médio confirmado pelo governo é de 65%.

É possível usar o FGTS para pagar dívidas no Desenrola 2.0?

Sim. O trabalhador pode usar 20% do saldo do FGTS ou até R$ 1 mil (o maior dos dois) para abater parte da dívida renegociada. O acesso ao fundo só ocorre após assinar o acordo.

Dívidas de quanto são limpas automaticamente?

Bancos participantes ficam obrigados a desnegativar clientes com dívidas de até R$ 100. A limpeza também vale para quem renegociar pelo programa.

Estudantes do Fies têm desconto diferente?

Sim. Estudantes do CadÚnico com dívida Fies em atraso acima de 360 dias têm desconto de até 99%. Fora do CadÚnico, o corte máximo é de 77%.

O Desenrola 2.0 oferece desconto médio de 65% em dívidas de cartão, cheque especial e CDC de até R$ 15 mil, com desnegativação automática para quem deve até R$ 100 e prazo de 90 dias para renegociar nos canais dos bancos participantes.

Conteúdo elaborado pela redação Vagas e Beneficios, com base em dados oficiais e fontes públicas.